81% veem um Brasil mais dividido. Sem justiça, não haverá paz!
08/11/2026 às 12:00 Opinião
Pesquisa Quaest, divulgada em 8 de novembro de 2026, revela que 81% dos brasileiros consideram que o país saiu mais dividido das eleições. Alguma surpresa?
Há uma questão concreta que, a meu ver, impede a pacificação nacional: a forma como foram conduzidas as investigações, prisões e condenações relacionadas ao 8 de janeiro de 2023. Entre os atingidos estão cidadãos sem antecedentes criminais, idosos, militares, ex-integrantes do governo Bolsonaro e o próprio ex-presidente. Há também brasileiros que deixaram o país em meio às investigações e restrições judiciais. Somam-se a esse quadro relatos de aproximadamente uma dezena de falecimentos entre pessoas envolvidas nesses processos, ocorridos em diferentes circunstâncias.
Desde a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência, em 2019, o ambiente político tornou-se cada vez mais hostil. Nas redes sociais, ainda encontramos manifestações de ódio contra bolsonaristas, inclusive comentários que defendem sua eliminação. Na minha avaliação, o governo Lula tem responsabilidade política por esse ambiente e não demonstra disposição para conviver com uma oposição forte. Como pedir pacificação enquanto tantos brasileiros enxergam perseguição e vingança?
A oposição existe para fiscalizar, denunciar erros e cobrar resultados. Não é inimiga do governo, mas um contrapeso indispensável à democracia. O direito de discordar não pode ser confundido com ameaça às instituições.
Não queremos anistia. Queremos anulação! Defendo a anulação integral dos processos do 8 de janeiro, que considero comprometidos desde a origem. Essa reivindicação exige o exame das alegações de irregularidades e o respeito às garantias constitucionais.
O novo Congresso Nacional precisa colocar essa questão entre suas primeiras prioridades. É necessário um movimento nacional, dentro da legalidade, pela revisão das restrições judiciais, pela anulação dos processos considerados inválidos e pela libertação dos envolvidos, conforme a situação jurídica de cada um.
Afinal, que democracia é essa que tantos brasileiros não conseguem reconhecer na justiça aplicada em seu nome?
Sem justiça para o 8 de janeiro, não haverá pacificação nacional.
Bernadete Freire Campos
Cidadã brasileira, especialista em neurociência, estudiosa do comportamento humano no contexto político.