Sérgio Alves de Oliveira

Advogado, sociólogo,  pósgraduado em Sociologia PUC/RS, ex-advogado da antiga CRT, ex-advogado da Auxiliadora Predial S/A ex-Presidente da Fundação CRT e da Associação Gaúcha de Entidades Fechadas de Previdência Privada, Presidente do Partido da República Farroupilha PRF (sem registro).

Quem disse que cachorro não é gente?

Uma das mortes que mais senti na vida foi a do meu “filho” Bola, como eu o chamava, um belo cachorro boxer, com 12 anos. Ele era filho da minha também “adorada” Mel, que igualmente viveu na minha “querência”, desde tenra idade, e que já partira dois anos antes.

Não tinha cena mais emocionante nesse mundo do que ver essa “dupla” correndo parelha, atrás de um objetivo comum, geralmente algum ouriço, graxaim, tatu, lagarto, gambá, capivara, lontra, ariranha, gato, ou qualquer outro tipo de “intruso” que ousasse entrar nos “seus” territórios. 

Nosso “habitat” era na Região das Lagoas, Zona Rural, Litoral Norte do Rio Grande do Sul, entre a Serra Geral e o Oceano Atlântico. Nunca os tratei nem os considerei como “animais” na forma como mandam os manuais escritos pelos homens.                                                                                        

Apesar de ambos terem sido “adestrados” com muita dedicação por um reconhecido profissional, isso não funcionou. Eles eram livres e rebeldes. Faziam quase sempre o contrário dos tais “comandos”.                                                                                                

Sempre os considerei como “iguais”. Comprovei durante nossa convivência que realmente os cachorros fazem jus à fama de melhores amigos do homem. Dentre os seres vivos, sem dúvida são os mais confiáveis, muito mais que os da própria espécie humana, na sua maioria.

Esses meus “filhos” foram de extrema importância para que eu solidificasse a minha convicção de nunca considerar os seres humanos superiores aos demais animais.

É evidente que essa insustentável visão sobre a “superioridade” do homem sobre todos os outros animais é pura “invencionice” humana, sem qualquer fundamento na realidade “maior”.

Em primeiro lugar, o homem, assim como o conhecemos, é um ser muito recente no Planeta Terra. Talvez não chegue nem a dez ou vinte mil anos.

Ora, o Planeta Terra tem 5 bilhões de anos. A “vivência” do homem significa então “uma fração de segundos”, no relógio de 24 horas. E “antes”, como era?  E “depois” - daqui a milhões, ou bilhões de anos - como será?

Essa estúpida pretensão humana de ser “superior” aos outros animais da Terra pode ser comprovada, inclusive, pelas duas “DECLARAÇÕES UNIVERSAIS DE DIREITO”, sendo a primeira, a dos “DIREITOS HUMANOS”, da ONU, em 1948, e a outra, dos “DIREITOS DOS ANIMAIS”, da UNESCO, de 1978.                                                                                                                               

Ocorre que tanto uma, quanto a outra, foram redigidas pelos humanos, mas na declaração respeitante aos animais, o homem simplesmente se arvorou numa “representação” que nunca lhe foi outorgada.

Não poderia, portanto, “declarar” nada em nome e representação dos outros animais. Agiu como um “procurador” sem procuração.

O simples fato da alegação de que os animais não podem se comunicar com os humanos, assim como eles se comunicam entre si, não seria argumento válido. Isso não autorizaria que um falasse pelo outro.

Essa declaração de “direitos” dos animais não poderia passar de meras “recomendações”, de humanos para outros humanos, de como proceder com os animais. Jamais de uma declaração “deles”, animais. O simples fato de haver duas “declarações”, uma para cada espécie, já significa discriminação de um sobre o outro.                                                                                                                              

O que é difícil compreender são as causas pelas quais a ciência está tão avançada em certas áreas e concomitantemente ignora quase completamente as questões que envolvem a natureza humana em si mesma, tanto em relação ao Planeta Terra, quanto na relação com o Universo.

Será que o “deus” concebido pelos humanos seria o mesmo que o de outros pontos do Universo que, certamente, também têm suas próprias vidas inteligentes?  Qual o “deus” verdadeiro? O da Terra?  O das civilizações inteligentes extraterrestres? De “qual” delas?

Será que a pretensa superioridade humana alegada frente aos outros animais teria procedência extensiva aos outros seres “humanos”, ou similares, do Universo?  Que reação teria o homem quando descobrisse outras vidas inteligentes no cosmos?  Abandonaria as convicções religiosas formadas aqui pela Terra?  Incorporaria “teologias” diferentes, eventualmente mais avançadas?

Os seres ditos inteligentes daqui seriam superiores aos seres inteligentes de outros mundos?  Ou “inferiores”? Qual a concepção que teriam os outros animais terrestres, nossos irmãos de Planeta, nos limites da inteligência de cada um, sobre essas questões todas?

Mais: qual o POSTO do homem durante o seu “reinado” na Terra?  E nos outros tempos? E no “Cosmos”, qual o seu posto?

Mas de todas essas crenças egoístas e estúpidas, partidas da mente humana, a campeã mesmo é aquela que garante uma vida espiritual posterior à morte “exclusivamente” para o homem, já que os animais “não teriam” alma, ou espírito. E as “outras” vidas, inclusive inteligentes, de outros pontos do cosmos, também não teriam alma ou espírito? Seriam equivalentes aos animais “inferiores” aqui da Terra? Não teriam outra vida além da morte?

Sabe-se que diversas experiências PARANORMAIS, tanto científicas, quanto religiosas, apontam na direção de algum tipo de vida espiritual “post mortem”, para humanos. E para os outros animais? Onde estão os estudos e os relatos de experiências? Por que a resistência em admitir iguais destinos após a morte para os animais humanos e os outros não-humanos? Por que, tanto a ciência, quanto as religiões, não se preocupam em desenvolver estudos sérios sobre a possível paranormalidade e espiritualidade animal? Quando tirarão a enorme pedra que está em cima do assunto?

Com a finalidade exclusiva de colaborar com eventuais estudos sobre esse nebuloso tema, empresto meu testemunho pessoal.

Não tenho dotes paranormais, nem poderes “mediúnicos”. Nem tenho religião. Porém consegui manter alguns contatos “relâmpagos” com o “Bola”, alguns dias depois de morto, visuais uns, sonoros outros, na certeza de que “ele” estava procurando aproximar-se de mim.

O mesmo ocorreu com a minha mulher, Rosemarí, que possui dotes mediúnicos e é “espírita”, convicta e praticante.

Um dia, talvez num distante futuro, esse tipo de fenômeno acabará sendo incorporado pelas religiões e pela ciência.

Sérgio Alves de Oliveira

Advogado, sociólogo,  pósgraduado em Sociologia PUC/RS, ex-advogado da antiga CRT, ex-advogado da Auxiliadora Predial S/A ex-Presidente da Fundação CRT e da Associação Gaúcha de Entidades Fechadas de Previdência Privada, Presidente do Partido da República Farroupilha PRF (sem registro).

Mais de Sérgio Alves de Oliveira

Comentários

Notícias relacionadas