No Circo Voador o encontro da esquerda e o show dos “palhaços”

A esquerda encontrou-se, nesta segunda-feira (2), no Circo Voador (não poderia haver lugar mais apropriado para o conteúdo dos discursos), para um momento, segundo eles, de ‘união’.

Na teoria, uniram-se e superaram suas "diferenças" pelo que aconteceu recentemente: tiros no ônibus de Lula e o assassinato da vereadora Marielle - ambos os casos ainda sem conclusão na investigação. Ambos os casos usados até a alma como pólvora política, inclusive na presença de familiares da vereadora.

A não conclusão das investigações não impediu, por exemplo, o senador Lindbergh Farias de determinar que o assassino de Marielle era de "ultra-direita". Tampouco freou Lula, que afirmou que "se a Globo falasse 10% do que falou da vereadora após a sua morte, enquanto ela estava viva, talvez ela não tivesse sido morta". Lula também culpou a emissora pela morte de Tim Lopes, "enviado à morte e morto por uns funkeiros"; e pela sociedade "tomada pelo ódio". Também acusou a Netflix de mentir com a série "O Mecanismo".

O ódio à imprensa é formalizado com a promessa de regulação da mídia no caso de um vencedor de esquerda nas próximas eleições. O fazem de forma escancarada. O que não deixa de surpreender, no entanto, é o amor que a maioria dos jornalistas nutre pela esquerda. A mesma esquerda que os censurará.

No Circo, teve pastor evangélico comunista citando Jesus, teve Gleisi e Lindbergh posando de honestos, Manuela D'Ávila entretida com seu Iphone, Jandira Feghali se vangloriando porque chamou a Globo de golpista ao vivo, como uma adolescente que pulou a janela de casa para ir comprar cerveja com 15 anos, Benedita da Silva, felizmente em silêncio, Márcia Tiburi em discurso psicodélico, Suplicy discursando para outra dimensão, Carlos Minc, Freixo, Tarcísio Motta, Jean Willys emocionado com Lula e pedindo mais homossexuais no palco, Fernando Haddad acusando a direita de só saber lidar com o povo "na porrada", Chico Buarque de enfeite de luxo, dentre outros.

Um ET recém chegado à Terra, se visse o discurso de todos, ontem, ficaria emocionado. Faria sentido. Vítimas de tiros em ônibus e com uma vereadora assassinada por ser "preta, bissexual e socialista", teriam todos os motivos para se unir. Faltaria um pequeno detalhe no enredo: a verdade. E somente ela para iluminar as trevas morais por onde este pessoal caminha diariamente.

Na verdade, os palhaços lotaram o circo para defender um condenado, um criminoso, diante do STF, nesta quarta-feira (4). Os palhaços fizeram, todos, campanha política antecipada para o Chefe. Os palhaços usaram uma mulher, companheira deles, assassinada brutalmente, como trampolim político, na frente de seus familiares, sem o menor constrangimento moral. Nada anormal para quem o fez no velório da própria esposa. Os palhaços defendem que condenados em 2ª instância sejam todos soltos, apenas para defender Lula. Para estes palhaços, o Brasil e os brasileiros estão abaixo de suas ideologias e de Luiz Inácio Lula da Silva. Os palhaços falam em democracia e deram solidariedade, dinheiro público brasileiro e obras para ditaduras. Para os palhaços, se "atreverem a prender o Lula, o Brasil vai viver uma guerra civil", nas palavras de um representante do PCO.

Mas no fim, apesar de todo relativismo revolucionário, um palhaço continuará a ser sempre um palhaço.

João Ferreira

de Brasília (DF)

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