Mulher, honra e o ônus da pedagogia brasileira

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Desempenhando historicamente um papel social secundário, as mulheres vêm abrindo novos caminhos, mas o estigma da hierarquia social, psicológica e econômica encontra-se, ainda que sub-repticiamente, enraizado. No Brasil, essa condição é aplicada também às professoras, que nascem sob a égide da tutela masculina: da mulher que serve ao seu senhor, ao pai e ao esposo. 

No final do século XIX, a mulher é cogitada como educadora, visto que para reverter o quadro de analfabetismo era necessária a criação de escolas o que, consequentemente, aumentaria a demanda por mão de obra, abrindo, em decorrência o acesso para a mulher à profissão do magistério. Alguns intelectuais apoiaram o ingresso das mulheres à educação, defendendo a ideia de que educar as meninas significava educar os homens da nação.

A abertura profissional feminina, na profissão docente, por um lado representou um importante avanço para a mulher em ter condições de exercer uma profissão e adquirir certa autonomia econômica, por outro lado, esse campo de trabalho era organizado pela figura masculina: os homens elaboravam os currículos e coordenavam as escolas por meio da direção da instituição escolar.

Hoje o universo masculino retirou-se da educação fundamental. O gênero feminino, portanto, jamais teve tal oportunidade e responsabilidade, honra e ônus. Do útero à adolescência, as novas gerações estão sob o comando feminino, mães e professoras. 

Antes de existir a educação, existem pessoas. Por trás do educador, existe um ser humano que precisa se entender e ser entendido. Precisa ser valorizado, mas também valorizar o outro. Antes de sermos professoras, somos mulheres... O professor é uma pessoa! Nessa concepção, questiona: como está o mundo interior da mulher que se fez professora? E pontuando na formação docente, convido o público a pensar a respeito.

Alice Schuch 

pesquisadora e palestrante

                https://www.facebook.com/jornaldacidadeonline

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